2028 é logo ali, e Recife é prioridade! – por Jhonattan Washington

O ano era 2013, e o PSB reassumia a Prefeitura do Recife após 25 anos. Passados 13 anos, o partido deixa de ocupar formalmente o comando da capital pernambucana, agora nas mãos do PCdoB. Contudo, é evidente que essa mudança é muito mais partidária do que política, uma vez que o atual prefeito, Victor Marques, é afilhado político do PSB e representa a continuidade do mesmo grupo que governa a cidade há mais de uma década.

Diante desse cenário, o que realmente chama a atenção é a disputa pela Prefeitura do Recife em 2028. Victor Marques deverá se filiar ao PSB para disputar a reeleição? O partido conseguirá manter a unidade de sua base e aglutinar as forças do campo progressista? Essas perguntas ganham ainda mais relevância após o resultado das urnas do último dia 4 de outubro, especialmente porque PT, PDT e PSOL demonstraram força eleitoral na capital.

O PT, por exemplo, poderá novamente romper com o PSB? O partido dispõe de dois nomes que merecem atenção: o senador Humberto Costa, que já disputou a Prefeitura do Recife e conquistou mais de 417 mil votos na capital na última eleição, e a deputada estadual eleita Dani Portela, que ultrapassou a marca dos 60 mil votos e se tornou a deputada estadual mais votada do município. São dois nomes com trajetórias distintas, mas que demonstram a capacidade eleitoral do partido na cidade.

Outro partido que pode entrar com força nessa disputa é o PDT. Afinal, Marília Arraes foi a candidata ao Senado mais votada do Recife, com mais de 432 mil votos, além de carregar no currículo uma disputa recente pela prefeitura. Sua votação expressiva reforça seu peso político e a coloca como uma peça importante nas articulações para 2028.

Ainda no campo da esquerda, o PSOL também não pode ser ignorado. O partido elegeu Jones Manoel, que, com mais de 80 mil votos, foi o deputado federal mais votado da capital. O resultado demonstra a existência de um eleitorado expressivo que pode influenciar diretamente a composição das forças políticas na próxima eleição municipal.

Mas a direita também tem motivos para olhar com atenção para 2028. Flávio Bolsonaro conquistou mais de 370 mil votos no Recife, enquanto Mendonça Filho, seu aliado em Pernambuco, alcançou uma votação semelhante na disputa pelo Senado. Os números revelam uma força eleitoral próxima de 40% na capital, indicando a existência de um eleitorado conservador relevante e potencialmente competitivo. Ainda no PL, outro resultado importante foi a eleição do vereador Thiago Medina para a Câmara dos Deputados, com mais de 30 mil votos no município.

Outras votações que merecem destaque são as de Gilson Machado, do Podemos, eleito deputado federal com mais de 41 mil votos na capital, e de seu filho e atual vereador,Gilson Machado Filho, eleito deputado estadual com mais de 46 mil votos, tornando-se o segundo mais votado do Recife para a Assembleia Legislativa.

O Novo também sai fortalecido desse processo eleitoral. Eduardo Moura foi eleito deputado federal com mais de 54 mil votos na capital, enquanto isso, o partido tambémconta com representação na Assembleia Legislativa e mantém dois vereadores na Câmara Municipal. Soma-se a isso a votação superior a 180 mil votos de seu candidato ao Senado no Recife. Trata-se de um conjunto de resultados que amplia o espaço político da legenda e pode transformá-la em protagonista nas articulações de 2028.

Por fim, talvez uma das peças mais importantes desse tabuleiro seja o Palácio do Campo das Princesas. Quem será o nome apoiado por Raquel Lyra na disputa pela Prefeitura do Recife? Entre os nomes ventilados está o da vice-governadora Priscila Krause, enquanto, anteriormente, também se especulou sobre uma possível candidatura de Túlio Gadelha, candidato ao Senado em 2026. Independentemente da escolha, o posicionamento do Governo do Estado poderá influenciar diretamente a configuração das alianças e o equilíbrio de forças na capital.

O fato é que Recife se consolida como peça fundamental no xadrez político de Pernambuco. Mais do que uma disputa municipal, a eleição de 2028 será um teste de força para os principais grupos políticos do estado, com reflexos que ultrapassam os limites da capital.

E há um dado que ajuda a dimensionar o tamanho dessa disputa: o ex-prefeito João Campos perdeu mais de 250 mil votos no Recife entre as eleições de 2024 e 2026. Embora sejam eleições de naturezas diferentes, essa variação mostra que o eleitorado não é estático e que a força política de hoje não representa, necessariamente, uma vitória amanhã.

Se as urnas de 2026 deixaram alguma mensagem, é que ninguém pode considerar Recife um território eleitoral garantido. O jogo de 2028 já começou, e a capital será, mais uma vez, o centro das atenções da política pernambucana.