A seletividade política dos defensores da cultura – Opinião

Na última semana, a prefeitura de Caruaru tornou público o edital de seleção de artistas e propostas culturais para o São João de 2027, onde informou no edital que realizaria o pagamento dos artistas ou grupos em até 90 dias após o ciclo junino, ou seja, a partir de julho. A prática é algo comum nas gestões públicas e neste ano de 2026 a prefeitura realizou o pagamento em até 60 dias.

Diante disso, deputados de esquerda foram as redes sociais criticar a formatação do edital e pedir mais respeito a classe artística de Caruaru, e que não queria pagamento nem em 90, 60 ou 30 dias, mas após suas apresentações, dentre os parlamentares estão os deputados federais eleitos Jones Manoel (PSOL), Rosa Amorim (PT) e Dani Portela (PT), que reverberam em suas redes tal situação.

Ao analisar todo o contexto da situação, observa-se um oportunismo político considerável, pois o edital de seleção dos artistas e propostas culturais para o São João de 2027 foi votado pelo pleito do Conselho Municipal de Cultura em 10 de agosto. O blog teve acesso às atas do Conselho e foi aprovado o edital por 13 votos a 9. Em que foi apurado que a Fundação de Cultura de Caruaru (FCC) enviou ao Conselho no dia 06 de agosto e foi convocada uma reunião extraordinária no dia 10.

Após aprovação do Conselho, poucos ou nenhum deputado se manifestaram sobre o caso, pois estavam dedicados às suas campanhas político-eleitorais, mas após quase 90 dias da aprovação do edital para o São João de 2027, surgem os seletivos defensores da cultura caruaruense. Afirmando que não havia valorização dos artistas da terra com essa forma de pagamento, porém é uma narrativa que não se sustenta pois no último ano Caruaru teve mais de 75% das apresentações de forma geral sendo feitas por artistas locais e 82% das contratações sendo realizadas através de edital.

Dada a repercussão, o prefeito Rodrigo Pinheiro (PSD) utilizou as redes sociais para garantir o pagamento em até 60 dias, como ocorreu em 2026, e não mais em 90 dias como previsto em edital.

Por fim, pode-se observar que tal situação foi tirada do esquecimento, pois o edital foi aprovado desde agosto, para alimentar um desgaste político da gestão atual de Caruaru, pois tal provocação ganhou repercussão após as publicações da deputada federal eleita Rosa Amorim (PT), ser cotada a disputar a prefeitura de Caruaru em 2028 pelo PT, e não descartar a possibilidade da disputa ao executivo da princesa do agreste um dia após sua eleição. Coincidência ou seletividade? Ou respeitamos o Conselho da Cultura que é soberano e instrumento legal, ou voltamos à república das bananas onde se ganha tudo no grito.

O silêncio parece ser ensurdecedor quando artistas denunciaram a prefeitura do Recife que segundo os próprios artistas, pagou após 80 dias o carnaval. A prefeitura da cúpula do PSB-PC do parece-me não necessitar da defesa dos artistas e dos produtores de cultura. Novamente: coincidência ou seletividade?