A Operação Barriga de Aluguel foi deflagrada pelo GAECO do MP-PE para investigar um suposto esquema de fraudes em contratações diretas (sem licitação) de empreiteiras, principalmente nas secretarias de Saúde e Educação da Prefeitura do Recife.
Os valores envolvidos passam de R$ 200 milhões, com suspeitas de sobrepreço, duplicidade de pagamentos e conluio entre empresas. A investigação corre desde 2024 e já havia gerado buscas e apreensões em 2025.
Um juiz de primeira instância chegou a anular parte das provas, mas o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) retomou a operação no final de maio de 2026, determinando o prosseguimento das apurações.
O PSB — partido presidido nacionalmente por João Campos — protocolou uma petição diretamente no gabinete do ministro Gilmar Mendes, dentro de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) já existente.
Com isso, o processo não passou pelo sorteio eletrônico entre os 11 ministros do STF. Gilmar Mendes, que já era relator da ADPF, aceitou o pedido e, em decisão monocrática sigilosa de 30 de janeiro de 2026, trancou (suspendeu) as investigações do MP-PE, alegando desvio de finalidade e violação ao princípio da neutralidade do Estado em ano eleitoral.
Na mesma decisão, ele determinou que a Polícia Federal investigue suposta “espionagem” da Polícia Civil contra aliados de João Campos.
E agora? Todo mundo em Lisboa
Enquanto o MP-PE ainda tenta entender o que aconteceu, tanto João Campos quanto o advogado Rafael Alencar Carneiro (o mesmo que assinou a petição que chegou às mãos de Gilmar) estão no XIV Fórum de Lisboa, o famoso evento organizado pelo IDP (instituto fundado por Gilmar Mendes) e apelidado pela imprensa de “Gilmarpalooza”.
O encontro, que acontece entre os dias 1º e 3 de junho de 2026 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, é considerado um dos mais luxuosos e influentes do calendário jurídico-político brasileiro.
Rafael Carneiro, que além de advogado é professor do IDP e coautor de livros com Gilmar Mendes, aparece na programação como palestrante e moderador.
A coincidência de datas e a proximidade entre quem pediu a decisão, quem concedeu e quem agora divide o mesmo palco internacional geram um debate acalorado: seria apenas um evento acadêmico ou uma demonstração clara de conflito de interesse?








