Com a realização de debates na Rede Bandeirantes em todo o Brasil e a ausência em Pernambuco, uma das eleições mais atraentes deste ano ganhou minha atenção: a do Ceará.
Ciro Gomes, do PSDB, e Elmano de Freitas, do PT, duelaram em um primeiro confronto marcado por uma boa dose de “pimenta eleitoral”.
Candidato da oposição, Ciro soube construir uma narrativa coerente, enumerando posições contrárias à atual gestão: segurança, saúde e “desmantelo” da administração pública foram os pontos abordados.
Elmano, por sua vez, defendeu o próprio legado, trazendo números positivos de investimentos e de resultados do Estado.
O debate foi, em suma, propositivo, mas o ponto central foi realmente a segurança pública.
As críticas de Ciro trouxeram à tona o suposto domínio das facções no Ceará, que, no noticiário local e nacional, têm aterrorizado os cearenses e trazido consequências para o turismo e o desenvolvimento do Estado. Elmano rechaçou as críticas de Ciro e quis, estranhamente, imputar o problema das facções à sua suposta implantação na década de 90, durante a gestão de Ciro.
Curioso é que, rapidamente, políticos de oposição lembraram que, na gestão de Camilo Santana, aliado de Elmano, houve a negação da existência de células de qualquer facção. E, mesmo que isso seja verdade, mais de três décadas depois, o que se discute é a capilaridade dessa dominação, que nem de longe pode ser imputada a Ciro.
O que também chamou atenção nas mensagens políticas foi um Ciro usando sua imagem de confiança e credibilidade, construída a partir de uma trajetória política de décadas no Ceará. O “eu já fiz” e o “você me conhece” comunicam muito bem com os eleitores.
Ciro ainda fez provocações a Elmano ao destacar a “muleta” do candidato à reeleição, que repetiu dezenas de vezes que estava com “Lula e Camilo” e, mesmo assim, ainda patinou quando, em uma das vezes, trocou o nome de seu candidato ao Senado, Cid Gomes, pelo do seu opositor, Ciro Gomes.
Elmano também teve seus bons momentos de “trocação” no “ringue”, principalmente quando fez provocações à formação da aliança de oposição, marcada por certas doses de incoerência.
As trocas de acusações de mentira, comumente adotadas em debates, também marcaram o confronto.
No mais, Ciro parece ter deixado os ataques mais pesados para um segundo momento. Sabe que fraquezas podem ser expostas e vai explorá-las no melhor momento. Já Elmano, preparado, também deve atacar, se preciso, e está afiado para eventuais acusações que possam desgastar seu adversário.
Por Remir Freire, jornalista.








