A participação do candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, em uma entrevista à TV Jornal, no começo desta semana, foi recheada de incoerências. Mas a que mais chamou atenção foi a tentativa de evitar falar do passado justamente quando a pergunta não lhe convém.
João foi questionado pelo jornalista sobre por que fala das gestões do PSB, seu partido, mas não cita Paulo Câmara, que governou Pernambuco por oito anos e teve João, inclusive, como chefe de gabinete durante sua gestão.
A resposta veio seca e direta: “Eu estou aqui para falar sobre o futuro.”
Verdade, candidato! Os eleitores esperam esse compromisso de qualquer candidato: falar de propostas e do que pode mudar na vida dos pernambucanos nos próximos anos.
Mas por que, então, em todas as falas anteriores, seja nesse programa, em qualquer outro ou nas próprias redes sociais, o passado aparece como guia da sua campanha?
João não explica propostas; diz que viu seu pai fazer. Não fala de projetos; diz que seu avô fez quando foi governador. Não apresenta planejamento; diz que aprendeu com o pai.
Bom, se isso não é falar do passado, o que é?
João, na verdade, parece tentar esconder um passado recente que não está tão distante da memória dos pernambucanos: o desgaste da gestão Paulo Câmara.
Afinal, como João poderia falar de mudança e de novos projetos se, quando esteve lá, no gabinete, não viu nada ser feito?
As incoerências terão seu preço. O candidato socialista precisará construir uma narrativa melhor nos próximos momentos da campanha. Afinal, terá adversários dispostos a explorar esse passado, e nem sempre será possível fugir dele com frases de efeito.







