A segurança pública em Pernambuco tornou-se o principal tabuleiro de xadrez na corrida eleitoral, revelando as contradições intrínsecas das alianças partidárias. De um lado, João Campos (PSB), consolidado como pré-candidato ao Governo do Estado, centraliza seu discurso na contundente crítica à gestão da governadora Raquel Lyra, apontando falhas no combate à violência . Trata-se de uma estratégia previsível de oposição: desgastar a imagem da atual chefe do Executivo, porém nesses últimos 4 anos houve o maior número de policiais militares formados e em atuação na história de Pernambuco.
No entanto, a narrativa de oposição encontra uma barreira de coerência política no próprio quintal de suas alianças, exposto no Cabo de Santo Agostinho, governado pelo prefeito aliado Lula Cabral (Solidariedade). De acordo com dados oficiais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o município ocupa o 5º lugar entre as cidades mais violentas do país após contabilizar 159 mortes violentas intencionais em um único ano — uma alta de 16% em relação ao período anterior. Esse cenário alarmante de insegurança urbana, impulsionado por tiroteios constantes e disputas de facções, levou o próprio Executivo municipal a solicitar formalmente o envio da Força Nacional, que escancara a gravidade da crise local.
Essa dualidade expõe o pragmatismo político que frequentemente relativiza os discursos programáticos em ano eleitoral. Cobrar eficiência e responsabilizar o Palácio do Campo das Princesas pela insegurança generalizada perde força discursiva quando, simultaneamente, ignora-se a responsabilidade ou o fracasso das políticas locais e sociais nos municípios governados por aliados. Para o eleitorado, resta o desafio de decifrar até que ponto as críticas à atual governadora são fundamentadas em um projeto real de reformulação da segurança e até onde são apenas conveniências de uma disputa pelo poder que acomoda, sob a mesma legenda ou coligação, realidades locais insustentáveis.








