É curioso observar o debate em torno da disputa pelo Senado em Pernambuco. Enquanto alguns atores políticos reivindicam reconhecimento e espaço na chapa governista, cabe perguntar: onde esteve esse apoio quando ele era mais necessário?
Não basta estar próximo do poder nos momentos de estabilidade. A política valoriza quem assume posição, veste a camisa e divide os riscos de um projeto. Ao longo dos últimos anos, a governadora Raquel Lyra contou com aliados que defenderam a gestão nos momentos difíceis, investiram capital político e associaram suas imagens ao governo de forma clara e pública.
Nesse contexto, Miguel Coelho surge como um exemplo. Nas redes sociais, na imprensa, em entrevistas e eventos políticos, adotou a estratégia de quem decidiu apostar em um projeto e trabalhar por seu fortalecimento. Concorde-se ou não com suas posições, ele resolver vestir a camisa de Raquel.
No caso de Eduardo da Fonte, o cenário parece diferente. Embora hoje reivindique apoio para uma candidatura ao Senado, sua trajetória recente suscita questionamentos. Desde o início do governo, seu partido ocupou cargos e espaços na administração estadual. Ainda assim, sua defesa pública da gestão foi discreta, com pouca utilização de sua estrutura de comunicação para divulgar realizações do governo ou fortalecer politicamente a governadora.
Além disso, quando poucos acreditavam na viabilidade política de Raquel Lyra e havia oportunidade para consolidar uma aliança estratégica duradoura, decisões equivocadas acabaram afastando essa possibilidade. Mais tarde, foi preciso recompor a relação.
A política tem memória. Existe uma diferença entre apoiar um projeto e apenas desejar participar de seus resultados. Quem contribui para a construção acumula mais créditos do que quem surge apenas na hora da colheita.
Por isso, a discussão não deveria ser sobre quem deseja o apoio da governadora, mas sobre quem efetivamente esteve ao seu lado quando isso exigia coragem, posicionamento e compromisso político.








