O peso das eleições – Opinião por Remir Freire

Com a polarização política, de viés exageradamente ideológico, as duas últimas eleições estaduais tiveram seu protagonismo reduzido em relação às eleições presidenciais de 2018 e 2022. Não a ponto de se tornarem dispensáveis, claro. Seguiram importantes. Mas o cenário eleitoral deste ano mostra que a eleição dos governadores será praticamente decisiva para a presidência.

É aí que o jogo já começa a ser cuidadosamente articulado, e os presidenciáveis estão em alerta.
Em Pernambuco, Lula dá sinais de que quer dois palanques, a exemplo do que conseguiu em 2006, com Eduardo Campos e Humberto Costa. Por mais que o atual presidente tenha alto índice de apoio popular no estado, ter como adversária a atual governadora, Raquel Lyra, que disputa a reeleição e cresce nas pesquisas, não é exatamente um bom negócio.

No estado vizinho, o Ceará, a sombra do ex-ministro Ciro Gomes surge com favoritismo na disputa para desbancar o atual governador, Elmano de Freitas, do PT. Caminhando até para uma vitória em turno único. O que tem preocupado o PT nacional, ao ponto de pensarem em uma substituição do nome de Elmano pelo ministro da Educação, Camilo Santana.
Outra preocupação é na Bahia, também governada pelo PT, teremos o reencontro entre ACM Neto e Jerônimo, com várias pesquisas apontando favoritismo do primeiro.

Para não falar apenas do Nordeste, nem do confronto entre Lula e Bolsonaro, um estado chama atenção: o Paraná. O atual governador, Ratinho Júnior, tem altos índices de aprovação popular. E estava cotado como presidenciável ao longo dos últimos meses. Mas a possível candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, que vem ganhando forma e se mostrando competitiva, gerou um embate local interessante. Flávio gravou um vídeo declarando apoio ao governo paranaense ao lado de Sérgio Moro. O que seria uma sucessão local tranquila se transformou em dor de cabeça para Ratinho e atrapalhou seus planos de disputar a presidência. Desistiu.

Em São Paulo, Lula colocou no sacrifício seu eterno candidato, Fernando Haddad. Tudo para “fincar o pé” e não ficar desassistido de palanque. Em Minas, Pacheco surge como opção para enfrentar o bolsonarista Cleitinho também com o mesmo objetivo. E assim por diante.

Voltando ao “X da questão”, as eleições nos estados voltam a ganhar peso decisivo no jogo eleitoral. Se o voto ideológico guiou as duas últimas eleições presidenciais, 2026 se desenha com as disputas estaduais assumindo um papel determinante.

Por Remir Freire, jornalista.