A noite de abertura do Palco Pernambuco Meu País, nessa sexta-feira (14/08), foi um acalanto no coração do público que curtia o friozinho da Serra Negra. No alto do distrito de Bezerros, o primeiro dia foi marcado pela potência e beleza da voz feminina na MPB que se reinventa, do clássico ao contemporâneo. As grandes artistas Rogéria Dera, Adriana Calcanhotto, Luedji Luna e Zélia Duncan mostraram a força de suas presenças que preencheram não apenas o palco, mas ecoaram por todo o Pátio de Eventos. A primeira atração das sextas do Festival Pernambuco Meu País, como de costume, ficou por conta do espetáculo homônimo que é feito essencialmente do melhor da cultura popular pernambucana. Uma noite que resgatou memórias afetivas em repertórios que fizeram e ainda fazem história na música pernambucana e brasileira.
Convidando o público a chegar mais perto, o Espetáculo Pernambuco Meu País evocou a força dos saberes populares que atravessam a história de Pernambuco. Com 30 brincantes em cena, a montagem homenageia Janete Costa, Mestre Vitalino e Irineu do Mestre, três nomes cuja obra permanece profundamente ligada à capacidade de transformar matéria, território e cotidiano em linguagem artística. Palha, tecido, barro e couro apareceram como elementos de uma dramaturgia construída sobre o trabalho manual, a identidade e a transmissão de conhecimentos entre gerações. A pesquisa, direção artística, criação das coreografias e coordenação dos ensaios ficaram a cargo de Leila Nascimento, com produção geral de Luana Luz.
Em seguida, Rogéria Dera abriu a sequência musical com uma apresentação que reafirmou a potência da cena autoral pernambucana. Artista de trajetória marcada pela experimentação, ela transita entre música, poesia e performance e construiu uma linguagem própria a partir do diálogo entre diferentes referências.
Na sequência, Adriana Calcanhotto trouxe para Serra Negra a delicadeza e a precisão de uma obra construída ao longo de mais de três décadas. Em Bezerros, o repertório aproximou diferentes momentos dessa trajetória, fazendo com que canções já conhecidas encontrassem composições mais recentes diante de um público que acompanhou a apresentação com atenção e reconhecimento. Entre versos, melodias e arranjos, Calcanhotto ocupou a noite com uma música que preserva a intimidade da canção mesmo quando encontra a dimensão de um grande palco.
Luedji Luna ampliou ainda mais o horizonte musical da noite. A cantora e compositora baiana chegou a Serra Negra trazendo canções dos álbuns Um Mar Pra Cada Um e Antes Que a Terra Acabe, e também do Acústico Luedji Luna, projeto que revisita parte de sua discografia e apresenta músicas inéditas em uma abordagem mais despojada, centrada em voz e violões. No Palco Pernambuco Meu País, essa pesquisa encontrou a dimensão expansiva do show ao vivo. Sua voz atravessou a Serra Negra carregando uma sonoridade contemporânea e uma escrita profundamente conectada às questões do presente.
Já era madrugada quando Zélia Duncan entrou em cena para encerrar a noite com grandes clássicos da MPB. A cantora e compositora apresentou um espetáculo concebido como uma grande festa em torno de diferentes momentos de sua trajetória, reunindo canções que atravessaram gerações, como “Catedral”, “Alma” e “Lá Vou Eu”.
Nos intervalos, a DJ Nadedja manteve a música em circulação e ajudou a costurar as diferentes apresentações.
Sobre o Festival Pernambuco Meu País – O Festival Pernambuco Meu País é realizado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-PE), da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), em parceria com os municípios participantes. A iniciativa valoriza a diversidade cultural pernambucana, fortalece a economia criativa, incentiva o turismo e amplia o acesso da população às diferentes linguagens artísticas.







