Pernambuco e Ceará: duas eleições, a mesma tentativa de nacionalização – Opinião por Remir Freire

Há quem diga que cada eleição é única, com mudanças a cada pleito e diferenças claras quando falamos de geografia.

Mas também há semelhanças que podem ser observadas, principalmente quando as campanhas dão o pontapé inicial. E é isso que percebo com clareza nas eleições de Pernambuco e do Ceará.

Com o início da campanha, João Campos, do PSB, em Pernambuco, e Elmano de Freitas, do PT, no Ceará, adotam estratégias semelhantes: nacionalizar o processo eleitoral local.

João é candidato de oposição à gestão Raquel Lyra. A todo custo, tenta empurrá-la para o campo de oposição ao presidente Lula. Raquel responde: “sou pernambuquista” e reforça os prósperos anos de parceria institucional que, segundo ela, contribuíram para o desenvolvimento do Estado. Não deixa de elogiar, muito menos de reconhecer, o presidente Lula.

No Ceará, Elmano, candidato à continuidade de seu governo, ataca seu adversário, Ciro Gomes, também tentando associá-lo ao “bolsonarismo” como referência política nacional.

A estratégia, até aqui, não parece ter produzido o efeito esperado. Ciro foi adversário direto de Bolsonaro nas duas últimas eleições presidenciais e não economizou críticas nem a ele nem a Lula. Ao mesmo tempo, reúne em seu palanque uma frente de insatisfação com o projeto político de Elmano e de Camilo Santana, que enfrenta problemas, principalmente na segurança pública.

“Sou o candidato de Lula”; “Lula é meu amigo”; “você não gosta de Lula”, são apenas frases de efeito que não contribuem para o debate eleitoral.

O que se percebe é que ambas as campanhas têm deixado em segundo plano o mais importante de uma eleição local: o debate sobre os problemas, os avanços e os projetos para os Estados.

A definição do voto para presidente não deveria se sobrepor a isso.

As narrativas de nacionalização do processo se tornam cansativas e pouco efetivas para um eleitor que espera muito mais dos candidatos. Afinal, uma eleição para governador deveria, antes de tudo, discutir o governo que se pretende fazer.

Usar figuras nacionais como muletas eleitorais não necessariamente revela pontos favoráveis de uma candidatura. Em muitos casos, pode apenas expor as fragilidades de campanhas com fortes chances de fracasso.

Por Remir Freire, jornalista.