Entre frases de efeito e respostas vagas, João patina em temas complexos – Análise

A pré-campanha ao Governo de Pernambuco do ex-prefeito do Recife, João Campos, está cada vez mais atrapalhada. João tem encontrado mais dificuldade do que se imaginava nesta reta inicial, tanto para ir às ruas e reunir lideranças com força política quanto para construir uma narrativa embasada que consiga desgastar a atual gestão estadual, conduzida por Raquel Lyra.

Essa narrativa tem exposto um certo despreparo, além da falta de posições mais coerentes e de conhecimento sobre os problemas vividos em Pernambuco. João tem colecionado episódios desgastantes: criticou as estradas pernambucanas e acabou bombardeado nas redes sociais; protagonizou declarações polêmicas, como a “brincadeira” sobre ser ministro da eucaristia; e ainda se envolveu em situações controversas, como o episódio em que teria tentado esconder um colar de valor durante um evento público.

Mas não são apenas as polêmicas recorrentes envolvendo João que têm chamado atenção. As entrevistas das quais o ex-prefeito participa também vêm expondo um despreparo até então pouco percebido pela população. João tem falado sobre Pernambuco sem demonstrar domínio sobre o papel de um governador e, em alguns momentos, revela desconhecimento sobre o funcionamento da gestão pública.

Um dos casos mais marcantes foi a declaração sobre a Transnordestina. Apesar de ser um empreendimento federal, cuja obra enfrenta questionamentos do Tribunal de Contas da União, João tentou transformar o tema em um fato político contra o governo estadual. Ao ser questionado sobre o assunto, em entrevista à Rádio Folha, no Recife, o pré-candidato não conseguiu formular uma resposta consistente. Patinou no tema, afirmou que seu pai resolveria o problema se fosse governador e disse ter aprendido a lidar com situações semelhantes.

“Se eu fosse governador, eu fazia”; “é mais fácil do que parece”; “por que não tira R$ 1 bilhão do Ceará, pega alguma coisa do Centro-Oeste e resolve o problema da Transnordestina?”.
Essas foram algumas das frases ditas sem aprofundamento ou explicação prática sobre como, de fato, resolveria, ou buscaria resolver, a questão da Transnordestina caso ocupasse o Governo de Pernambuco.

A recorrência em utilizar a imagem do pai, o ex-governador Eduardo Campos, como muleta política também passa a impressão de um João fragilizado, que recorre à figura paterna para evitar questionamentos sobre suas próprias entregas.

Na mesma entrevista, João voltou a afirmar: “eu vi meu pai fazer isso muitas vezes”, ao ser novamente questionado sobre como solucionaria o problema. A declaração acaba levantando dúvidas: João acompanhava diretamente o pai em atividades estratégicas de gestão pública no auge da adolescência? E, caso acompanhasse, seria essa sua principal experiência para embasar uma candidatura ao Governo do Estado?