Neste 7 de setembro, data em que Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil às margens do Ipiranga, veio-me à tona uma indagação: será que realmente somos livres e independentes para tomar nossas próprias decisões?
E por que penso nisso? O que isso tem a ver com política?
Após tantas crises e escândalos nos governos petistas, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a eleição de Jair Bolsonaro, o Brasil mergulhou em uma divisão cada vez mais evidente entre petistas e antibolsonaristas, de um lado, e antipetistas e bolsonaristas, do outro.
Essa polarização criou um ambiente hostil, em que, se você não declara apoio a Lula, é chamado de fascista; se não declara voto em Bolsonaro, é chamado de comunista. E isso não vem de hoje.
Diante desse cenário, surge um questionamento: somos realmente livres e independentes para escolher nossos candidatos, mesmo quando eles estão fora dessa polarização? Afinal, aqueles que não compactuam com as ideias de nenhum dos dois campos são, muitas vezes, criticados e chamados de “isentões”.
Porém, desde 2022, uma mulher do interior de Pernambuco vem quebrando essa lógica. No estado onde nasceu o maior petista, Raquel Lyra fez campanha distante desses dois palanques. “Eu sou pernambuquista”, diz ela, usando um termo que adotou para sintetizar a ideia de colocar Pernambuco acima das disputas políticas nacionais.
Raquel é um daqueles casos raros na política atual que buscam não se apegar a rótulos ou ideologias, mas ao povo e às entregas. Até aqui, esse compromisso pernambuquista da governadora tem se refletido em sua aprovação (em muitas pesquisas, sendo maior que a do próprio presidente pernambucano) e a coloca como favorita na disputa pela reeleição contra o filho de Eduardo Campos (figura que junto ao avô remetem ao imaginário do povo pernambucano).
A pergunta que fica é: 204 anos após a Independência do Brasil, podemos realmente fazer uma escolha diferente daquela imposta pela lógica que divide o restante do país?
Pernambuco já mostrou, em 1817, cinco anos antes do grito às margens do Ipiranga, sua vocação para desafiar o caminho estabelecido. No dia 4 de outubro, veremos se o povo pernambucano concorda com o discurso pernambuquista de Raquel Lyra e escolhe, mais uma vez, ser independente da polarização nacional.
Por Jhonattan Washington, economista.








